
Sábado, 30 de Maio de 2009
Dor

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Poemas
I
Sueño celestial que mi razón domina
toma el corazón que por mi pecho brota,
déjame sin alma y con las venas rotas
y sigue con tu andanza peregrina.
Siembra en mí una amarga agonía
y corta el vuelo de mis dulces alas,
que la muerte para mí no es mala
si me has de matar con alegría.
Lágrimas de hiel mis ojos derraman
más ninguna compasión de ti espero
y aunque loca de amor a mí me llaman
aun me quema la llama del deseo
y en mi cabeza hay voces que reclaman
que jamás tuve un amor sincero.
VII
Recorro a pie tu cuerpo con el
Murmullo de un beso de inagotable
Aceite, búsqueda eterna, implacable
En tus prados perfumados de oyamel.
Tu cuerpo, cántaro de agua viva
Al que mi tacto rodea sigiloso;
Tropieza con súbita hendidura
Entre tus piernas (oculta desde hace siglos)
Con olor a barro recién cortado…
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009
Girassol

Já o sol queimava atrás do horizonte e elas não paravam de brincar como crianças que sempre foram. Desde o dia em que vieram a este mundo, surpreenderam-nos com sua beleza infantil. Eu, antes que qualquer outro, me apressei em oferecer-me como seu guardião. Tornei-me, com o tempo, muito mais que isso. Passávamos todo o tempo juntos e ninguém era capaz de nos separar.
Ainda me lembro quando, brincando de esconder, Soledad se perdeu no bosque e só pudemos encontrar-la quando já havia fugido o sol do campo. Ou quando, estando eu ferido da alma, Gisela me ofereceu seu ombro e recusou sair do meu lado até que estivesse curado. Meus ouvidos ainda escutam suas suaves e melancólicas vozezinhas, chamando-me a todo instante.
Aquele dia amanheceu menos amarelo que os demais. Entretanto, tudo parecia normal. Gisela e Soledad vieram me acordar. Queriam ir até o riacho que rega o prado e corre pelas sinistras pedras no outro lado do bosque. O vento agitava o sol no fundo do riacho e abria os sorrisos das minhas doces meninas. Mergulharam primeiro os pés, logo a água chagava às suas costas e, então, envolvia seus cabelos ardentes.
Por mais que minhas lágrimas corressem todo o mundo, o tempo jamais retrocederia. As havia perdido... para sempre. Minhas inocentes meninas, levadas pelo rio. Seus pequenos corpos se confundiram nas multidões das águas. Nada podia eu fazer frente a forca arrebatadora do suave e sinistro rio. Contemplava-as nostálgico. Fechei meus olhos e já não era.
Ainda, embaixo da velha figueira, as vejo caminhar. Mas de longe... Choro todas as noites e passo os dias lamentando-me. Minha alma sangrará por toda a eternidade e, mesmo não sabendo elas, sempre estarei aqui.
Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Amar...
O que é o amor?
Uma simples pergunta que não ouso responder. Talvez porque sei que nunca chegarei a uma concepção perfeita ou ideal do que realmente é o amor; talvez porque não queira mesmo saber o que é…
Sim, não me faz falta uma definição… O que importa, de fato, é vive-lo…
Viva o amor! Experimente sentir no mais fundo da alma essa sensação de arrebatamento e de felicidade plena. Deixe-se levar por esse oceano de emoções e por essa infinidade de duvidas. Não questione, não se detenha, não hesite… ame.
Quando ouvimos uma música, por exemplo, nos deixamos envolver pela melodia que nos chega ao mais profundo do nosso ser… Assim também deve ser com o amor. Amar é deixar-se levar pela melodia da alma.
Aqui deixo, então, meu conselho: ame o máximo possível, não deixa de amar, pois a vida não vale à pena se não amamos.
E o mais importante: ame a vida!
Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
Fé

Se sou um homem de dúvidas
Ou um homem de fé
Certezas o vento leva
Só duvidas, continuam de pé
*Paulo Leminsky
“[...] somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma. Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.
*Paulo, o apóstolo
Se me perguntassem qual é a coisa mais difícil de se definir, não pensaria muito: a fé. Sim, a fé. Uma palavra muito pequena, mas multifacetada. Não é como o amor, também difícil de se perceber, ou a vida, eterna dúvida do homem; mas é algo um tanto misterioso, com uma pitada de ‘resposta para tudo’. Como medir a fé? Como saber que temos fé? Como ver a fé? São perguntas que não têm resposta. Podemos pensar que temos fé porque acreditamos em algo que está além do nosso entendimento. Mas não é tão simples assim.
Pensar em fé seria pensar em não duvidar? Não creio que seja assim. De fato, quando pensamos em fé logo pensamos em dúvidas e em certezas, mas, além disso, a fé se envolve com nossas escolhas. Ela possui um laço estreito conosco mesmos, enquanto com as dúvidas e as certezas do mundo, ela está separada por uma parede, não, por um biombo. Isso porque ela tem mais a ver com o que é subjetivo do que com que identificamos como coletivo. Por exemplo, quando vemos em uma igreja um grupo que se reúne todos os dias, não digo que é a mesma fé que os une; a soma das fés (me permitam o neologismo) individuais que ali se encontram vai além de um conhecimento compartilhado por aquelas pessoas. Cada um com a sua fé consegue conviver com a fé do outro, identificando aproximações e casamentos entre subjetividades. Assim, surgem comunidades composta de várias subjetividades aproximadas e convergentes.
Mas ainda existem várias faces da fé que ainda não conseguimos ver muito claramente. Uma delas diz respeito às dúvidas e certezas, mas essas individuais. O homem é um ser cheio de dúvidas, indagações, incertezas, ou seja, é essencialmente filósofo. Alguns conseguem viver plenamente com essas dúvidas (não me perguntem como), outros, se desesperam e acabam ficando loucos (são os que encontramos na literatura), existem ainda aqueles que conseguem viver “pacificamente” com suas dúvidas, alimentando-as, às vezes, e buscando mais de si mesmo nelas. Podem haver outros tipos (não que eu queira catalogá-los), mas ver esses já é suficiente. Como a fé age no homem, então? Acho que a pergunta deve ser outra: como o homem age com a fé? E agir vai além que uma simples ação momentânea, mas abarca um conjunto de ações que influem, então, em algo bem maior, como a própria vida.
Para se aproximar de algo que pareça como uma resposta a essa pergunta, precisamos pensar a relação que a fé estabelece com as dúvidas e as certezas. Primeiro, certezas nem sempre são tão certas assim, então, fiquemos com as dúvidas. Segundo, dúvidas nos levam a mais dúvidas, então, não nos aprofundemos muito para não nos perdermos. Por fim, um fato inevitável, a fé se torna resposta bastante recorrente às dúvidas; ela é o lastro de respostas a perguntas difíceis. Assim, bem no senso comum, a fé é a válvula de escape. Mas ela está além disso. Ela está na dúvida, na sua constituição e na sua essência; é a fé que nos faz duvidar de certas coisas e ter certeza em outras. A fé tem muito mais ligação com a dúvida do que imaginamos, está mais ligada a nós que podemos ver.
Assim, a fé é que leva o homem a tomar esta e não aquela decisão, a fazer determinadas escolhas. Por mais que não vejamos, é a nossa fé que nos aponta os caminhos que seguimos e os que não seguimos. Tudo o que o homem se propõe a fazer é conforme sua fé. Suas ações, suas escolhas, suas decisões são todas fundamentadas na fé que ele carrega. Não sei dizer até que ponto a fé é inata e até que ponto ela é adquirida, mas uma coisa eu tenho por certa, ela se confunde constantemente com a consciência humana. É o famoso ‘algo me diz’. E, assim, vejo que é a partir da nossa fé que desenvolvemos todos os outros sentimentos que sentimos. Todas as nossas certezas são conjeturadas pela fé, assim como as dúvidas o são.
Essa é apenas uma das mil faces da fé. Outra se aproximaria daquilo em que acreditamos. Um assunto um tanto complicado que aqui não pretendo desenvolver, já que diz de algo bem mais subjetivo que o aqui apresentado. Quem sabe em outra oportunidade eu discorra um pouco sobre aquilo em que acredito. Mas creio que existe algo em que todos acreditamos, pelo menos devemos acreditar: em nós mesmos. O que é ter fé em mim mesmo? A resposta, creio, está na jornada; ainda não terminei o caminho.
