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sábado, 24 de dezembro de 2011

El llanto


No lloré lo que no pude decir
Ahogué todo el dolor que no pude sentir
Callé el suspiro que por poco me desvelaría

Y la aflicción creció y marchitó, poco a poco, mi corazón

sábado, 5 de novembro de 2011

Ego


Não se pode chegar a dizer que se conhece bem. Nunca se chegará ao pleno conhecimento de si mesmo. Jamais haverá alguém que saiba dizer o que, de fato, é. Ser implica não saber. Se, acaso, se sabe, não se é. O que já Alberto Caeiro vivia: só se é ao simples feito de ser e nada mais. Não há o que buscar, não há o que questionar, não há o que entender. Ser vale por si só.

Mas, então, o que buscamos, insistentemente, entender? Se não podemos saber a nós mesmos, tudo o que procuramos conhecer é em vão. É vão. A nossa existência é vã. Nós somos vãos. Tudo é vaidade. Por isso simplesmente ser. Carpe diem.

Nossa razão é, deve sempre ser, talvez, nossa esfinge. Devemos temê-la, não fazer-nos maior que ela. Se a razão de nossa existência é simplesmente ser, somos nós mesmos a nossa razão. Assim, devemos temer a nós mesmos. O medo. Quem sabe assim paramos de tentar chegar aonde não devemos.

Se somos e temos medo de ser, ou de chegar a saber o que somos, sendo nós nosso próprio medo, eis aqui nossa essência: tudo o que somos não tem outro motivo ou motivação que o simples fato de poder ser. Isso deve-nos bastar. Tentar ir além do ser é ir além de nós mesmos. É romper, violar nossa liberdade. É aprisionarmo-nos num labirinto de nós mesmos. É perder-nos em nossa essência. É ser sem poder ser.

E, então, contrariamente, contrariadamente obstinados, viveremos a incansável busca de nós mesmos.

Não podemos interromper esse ciclo. Nós, a linguagem. Uma roda que não para de girar sem mesmo haver começado seu movimento. Assim somos, seremos, fomos. Fora do tempo e do espaço. Sem certeza de alguma coisa. Ser hipótese.

E, por isso, a questão, a dúvida, a incompreensão, a incógnita:

Ser?

sexta-feira, 17 de junho de 2011

vou ser

seu toque suave a percorrer meu corpo
seus olhos a buscar em mim o segredo
seu sorriso
sedutoramente cativante
a romper em mim toda uma paixão

sua pele suave
ao tocar-me
me faz vibrar, tremer, desfalecer

ao deitar em mim seu olhar
vagarosamente
vou-me esquecendo de que vivo, de que há mundo

quando atingido pelo sorriso de seus lábios
já não existo
e tudo em mim morre e nasce a dor do querer, a insanidade

porque não há maneira de ser
se para ser dependo do seu ser
e sendo, em mim não sou
mas sou-me todo em você

e minha completude tampouco existe
se não há
em você
a razão do meu existir

se para me constituir, devo ser
e se para ser, deve, você, existir
sou se você existe
e se não existe você, não há eu e não há nada mais

insano
louco
sem juízo
apaixonado

eu eu eu eu

você
só 

nós da complexidade da vida no momento em que
atacado pela essência
percebo a inexistência de uma coerência
incongruência de ser

e amar
e então amar
e assim amar
e ainda amar
e com tudo amar

e viver
e vi ver meu ser seu existir
e viver minha incompletude
sendo ser

mas em você volto a ser

(loucura e paixão)

pois só e somente
podemos ser

sábado, 28 de maio de 2011

Vizinha


O que leva o ser humano a querer saber daquilo que não lhe diz respeito? Por que sempre queremos saber do que é alheio, do que acontece lá? Essa comichão que sentimos quando percebemos uma movimentação estranha e incomum ao nosso redor até que nos agrada. Podemos ignorar completamente os fatos, mas sempre nos vem aquela sensação de que algo não vai conforme os eixos.

Um dia, dirigindo-me ao trabalho, subia eu, curiosamente distraído, a rua, quando fui interrompido em meus botões por uma voz que chamava instigada: “Ô, moço!”. Tão mergulhado em mim estava, que não atendi à primeira vez; não que o fizesse propositalmente, mas por não estar ligado ao mundo à minha volta. “Ô, moço!”, insistiu com certa impaciência a voz. Procurei de quem seria esse chamamento inesperado e, sim, inoportuno.

Deviam ser 8 horas da manhã. Nesse dia estava de um humor agradável, apesar das muitas noites mal e não dormidas, por isso não me deixei levar pela ignorância que, não raras vezes, acomete aos que acolhem o mundo nas costas. Já estava acordado há um bom tempo, portanto não foi o sono que me causou a estupefação que logo mais me alcançaria.

A voz partia de uma senhora que, mesmo cedo, já se mostrava impaciente e ligeiramente nervosa. Desconheço se este é seu humor cotidiano, mas me pareceu um tanto perturbada nessa manhã tão suave. Ela se inclinava e se movia tentando lançar seus olhos a uma movimentação que, um pouco abaixo, se percebia. Por essa movimentação havia passado há pouco, mas nem a notara, ou, antes, a enxergara, mas não lhe dera importância, como a muitos e mais relevantes detalhes. Até que aquela voz me trouxe.

“O vizinho de lá tá mudando?” Estranhei a pergunta. O que eu saberia de um vizinho que nem conheço? Aliás, nem vizinho meu era... Creio que fiquei sem fala por uns minutos, tentando recuperar os fragmentos daquela voz que, parecia, não haviam chegado a mim; pois a senhora repetiu a indagação, quase uma interrogação à qual teria a obrigação de contestar com a verdade, nada mais ou menos que ela.

“Não sei...” Tive receio ao responder. O que se confirmou com a resposta da curiosa senhora.

Além de querer saber de tudo o que se passa fora, por que insistir em que o que vemos é aquilo que, de fato, aconteceu? Não nos basta os nossos monstros, temos também que adotar os dos outros? Isso é esdrúxulo; isso é caracteristicamente humano.

“Mas você estava lá, ajudando!?”. “Não, não estava...”. “Estava sim!”. “Não...”. Ela, definitivamente, não gostou da minha resposta.

Fico pensando se poderia haver dado outra resposta à preocupada senhora: “Sim, estava, mas não conheço aquele pessoal, só quis ser solidário”. Ou, então, “Não, mas, se a senhora quiser, posso me oferecer para ajudá-los e, assim, posso saber o que estão fazendo.” Não tive tempo para arquitetar uma resposta consoante ao momento. Meu simples e puro “Não”, achei, devia ser suficiente. Afinal, nunca imaginaria que seria questionado por alguma ação que não pratiquei.

De fato, a senhora não se deu por satisfeita. Deixei-a em sua contemplação incansável e insaciável. Mas aquela boca torcida e aquele olhar acusador que a distinta vizinha me lançou foi um troféu. Continuei minha jornada com um meio sorriso na boca. Não sei se de susto, talvez de incompreensão, mas sei que havia algo de irônico. Disso, sim, eu me lembro. De imediato julguei intrometida a atitude da vizinha. Pouco depois, pus-me a pensar: por que tanta curiosidade? Seria um alívio essa mudança? Talvez uma afronta. Enfim, algo havia que perturbou fortemente aquela senhora.

Dessas indagações, comecei a especular motivos vários para que o vizinho desconhecido estivesse de mudança. Quem sabe ele não o estivesse fazendo por algum outro vizinho que já não suportava? Ou simplesmente mais uma daquelas mudanças necessárias. Mas algo havia ali. Eu podia sentir. Não era algo comum, nem mesmo corriqueiro.

Com a distância, meu pensamento foi ficando rarefeito. A preocupação alheia foi esvaindo-se das minhas preocupações. Afinal, por que mesmo me importava a mudança daquele que nem era meu vizinho? Aliás, ele ao menos estava de mudança? Já nem me lembrava do que havia visto, ou apenas percebido, naquele breve instante em que passei em frente aquela casa e nem mesmo notei aquela movimentação toda.

Tudo era um pensamento ofuscado. E aquela senhora, vizinha. Continua lá. Não lá onde deveria, mas lá, onde o alheio parece tão nosso quanto do outro. Lá, onde nossos olhos veem o que não se vê. Lá, que é ali, aqui. Aquele outro que, por ser outro, nos incomoda tanto; que, sendo distante, precisa estar mais perto; que, estando alheio, parecendo tão desamparado, precisamos aproximá-lo. E é tudo natural.

O vizinho, quem sabe, se mudou, de fato. A vizinha, com seu ar de conhecedora do mundo, continua lá, conhecendo tudo, o ali, o aqui. E eu sigo meu caminho, alheio a mim mesmo, já que, assim, ele também será meu.

domingo, 23 de janeiro de 2011

“Se hace camino al andar”



Me detengo un segundo y miro hacia atrás. Hacia el pasado. Mis ojos observan el camino hasta aquí recorrido. No es un camino muy largo, tampoco muy corto. Caminé lo suficiente para decir que apenas aprendo a vivir. Y aprender exige una fuerza tremenda. Un esfuerzo muy grande y muy penoso. Pero todo y cualquier esfuerzo que uno hace para aprender, sea lo que sea, a andar o hasta a amar, o dejar de amar, es un esfuerzo que se invierte en la emoción más grande que se puede sentir: la emoción de saber, de sentir, de pensar, de vivir.

Mirar es una acción que exige coraje. Hay que tener valor para mirar, sabiendo que podrás ver algo que no te agradaría. Miro, no por el valor que tengo, sino por la necesidad que alimento de hacer valer la pena el día que se fue, intentando hacer con que el mañana sea mejor. Un intento vano. Miro y mis ojos ven lo que no pasó. Caminos que no crucé, personas con quien no hablé, experiencias que no tuve, vidas que no viví. Todo podría ser distinto hoy. Tal vez no estuviera aquí, a lo mejor ya no sería el yo que soy ahora, pero un yo que dejé que se fuera en una de estas esquinas del laberinto. Si es que un día llegué a ser este yo.

Y mirando hacia estas personas que un día fui, estos caminos por donde un día caminé, no puedo dejar de pensar que podría ser todo distinto. Si hubiera tomado aquél y no este rumbo, mi vida sería otra. Si sería mejor o peor, si estaría más feliz o más triste, si estaría amando u odiando, si tendría a alguien en mi cama o a mi puerta no puedo decir. Solo puedo soñar. Y, soñando, no sé si podré llegar a ver lo que habría pasado. Tal vez no sería bueno saberlo. Ojalá un día, caminando por senderos tercamente bifurcados, llegue a ser alguien semejante a estos que se perdieron en el laberinto.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pássaro

se te quero, tenho que dizer
mas se não me escutas, não quero gritar
prefiro sofrer o silêncio
mas te ter

deveria ser livre
viver
voar
amar
te amar
ser feliz
mas não encontro meu caminho

e de repente você

amor
meu verbo (intransitivo)
meu fogo
minha dor
incontrolável vontade de...
agora e jamais
amanhã e já não mais

tem-me
completamente
mas onde estás que não te encontro?
aqui estavas agora mesmo
e já te foste voar outros céus

resta meu canto
solitário
peregrino
estrangeiro
louco

meu caminho é junto ao teu
mas ainda me é desconhecido
caminharei
traça-lo-ei enquanto te busco
encontrar-te-ei, estejas certo disso

e a música
suave
confidente
misteriosa
mística
poderosa
estridente

inabalável balada de ti

e sem porquês
e sem buquês
e sem embriaguez
só com você
somente e sozinho

você em mim
eu oceano
eu ilha
eu céu

sou livre (?)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Desejo da alma

Eu juro que tentei, fiz o possível, mas me arrisquei e me doei sem restrições. Ofereci-me e nem um suspiro dei. Perdi minhas cores. Perdi meu corpo. Perdi-me. Mas o que você fez com o que era seu... Não entendo por que seu cheiro ainda me confunde, ainda me emociona. Seu suave toque é meu veneno. E você sabe, eu não sou capaz de resistir a seu lascivo sorriso. Nunca tive coragem de fugir desses terríveis tentáculos anis, repletos de sonhos e desejos, mas esvaziado de toda ternura e compaixão.

Eu sei que a culpa é minha. Sempre ansioso pela fria e soturna noite. Não me agrada o calor sufocante do sol. Já te havia confessado minha atração platônica à sensualidade da lua, à falsa cumplicidade das estrelas. Aí está minha loucura: apaixonar-me como se estivesse amando. Se pudesse ser como você... Tudo o que sente é o prazer das coisas. Até na morte, a carnal, você diz encontrar alento. Feliz, sempre te encontrei. Nunca uma lágrima de desengano vi acariciar sua impossível face.

Mas nossos dias foram avassaladores. Amamo-nos como se não houvesse mundo. Não havia manhãs ou tardes. A lua foi nosso esconderijo. Nas estrelas escondíamos nossos segredos. Sabíamos o risco. Ao menos você tinha consciência dele. Eu... Esqueci-o. Mais vale que não me lembre do que não posso enfrentar. Este meu labirinto eterno.

E as noites se tornavam dias, manhãs, tardes. Já não desfrutávamos da doce brisa da madrugada. Percebi que, então, já não era o mesmo. Eu, o amor... Você. Quando se viu perdido em meu labirinto, desesperou-se. Não se deu conta de que apenas avistara a silhueta, ofuscada e longe, de mim mesmo. Não sabe que apenas se aparenta monstruoso, mas, na verdade, busca sua essência? Você era a minha essência.

Agora seu corpo não reclama, não está amedrontado. Sua alma escorre aos meus pés. Você tinha razão, por dentro somos todos aquecidos. É tão bonito o que vejo: a imensidão do azul de seus olhos, a alvura de sua pele e a intensa cor escarlate de sua alma. Finalmente, você me pertence como eu sempre pertenci a você.

sábado, 29 de maio de 2010

Labirinto


E, sendo isso tão complicado, não sei o que escolher... O caminho segue e, mais a frente, se divide em dois, três, vários. Mas só um é o meu. O de mais dor... Mas como seguir nesse caminho estando sozinho? Se a noite me alcança, melancólica e acolhedora, me entrego. Mas logo o sol, poderoso e prepotente, me rouba o sonho. Não. Só com você posso conseguir, poderei percorrer e sobreviver esse mundo. Uma jornada sem destino, uma história sem fim...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Silêncio, pensamento...


Não penso em nada. Deveria estar pensando em algo? Não. Ou, talvez. Confesso, não penso no que deveria. Mas no que deveria estar pensando? A manhã está bem agradável. Não quero que meu dia seja ruim por causa de um mau pensamento (com 'u' ou com 'l'? Não importa, pensar não me faz bem agora...).

Mas é inevitável não pensar. Mas penso com imagens, que são menos dolorosas. Sim, porque as imagens são mais fáceis de se definir que as palavras. Às vezes gasto um bom tempo pensando em um discurso que se faria em menos de 1 minuto. Quando penso com imagens, todo um mês não gasta 30 segundos para percorrer minha mente. Há também o fato de que as imagens não necessariamente são cronológicas. As palavras, essas coitadas, não podem significar fora de um contexto.

Mas tanto imagens quanto palavras são efêmeras. Nada vai importar amanhã. Já serei outro. As imagens serão outras. As palavras, vis sedutoras, longe estarão do dia de hoje. Meu pensamento se esparzirá. Cinzas ao vento.

Mas não me angustio. Um pouco. Me restará a impressão de uma fantasia. Um leve som da música que ouço. Um vago rabisco da cena que vejo. Um fugaz odor do cheiro da manhã indecifrável. Uma falsa sensação do frio na minha pele. A idéia de que tudo foi agradável.

E assim sou. Contente. Contentado. Não quero ser imortal, adicto que sou à chama. Pouco me importa se sou infinito; mais me valeria se soubesse amar. Ser um sonho não é muito. Mas muito me exige. E não, não quero pensar. Não sou o que queria ser. Não penso no que deveria pensar.

E melhor assim. O silêncio. A vaguidade de uma alma. A esperança. A saudade. Não o hoje. Mas o instante. E o vento sopra. E tudo se esvai. Se esvazia. Para ser completado novamente. Na morbidez do viver. Não se deve pensar a vida. Se é completo ao viver e isso deve bastar.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Último Suspiro




Abriu os olhos e viu reflexos da noite de melancolia. Mal dormida. Doída. Longa, infelizmente. Mas não há o que pensar. Isso preocupa. O corpo ardido e ainda preguiçoso, mais nada. Tudo é vazio. O quarto apertado e fedido é o que lhe resta. Esperança pouca e fatídica. E agora? Sem nome, sem origem, sem destino. Por amigo, só a lua; brilhante e cheia de doces sussurros enamorados. Ah! Se ao menos ele soubesse gozar dessa oportuna companhia. Mas não, prefere os inconsoláveis e horrendos lamentos da alma. E eu!? Seus olhos não me alcançam... Cegou-se pelo medo, pelo desespero. É, ele tem medo; muito medo. Mas nem assim me olha de novo. Tem vergonha do horror do seu olhar, não sabe que me faria bem suas lágrimas em meus ombros. 
 
Não fui pra casa. Não tive coragem de deixá-lo sozinho, não com toda a dor que ele sentia. Dormi ao seu lado. Ele não me sentiu; o abracei. Chorei. Como há muito tempo não fazia. Seu corpo tremia. Um corpo tão frio... Que aperto no coração senti ao escutar as murmurações de seus pesadelos. Quis aquecê-lo, mas o frio era maior. Estremeci. Lembrei-me do tempo em que ele me acolhia. Quando sentia medo da chuva. Ele aparecia com aquele sorriso de quem se mostra forte, mas que também tem medo. Seu abraço me tirava qualquer preocupação. Dormia logo. Era desse abraço que eu precisava... Ele, mais que eu. 


Ficou agitado ao perceber que eu ainda estava ali. Não me disse nada. Gostava da minha presença, apesar de temê-la. Sentou-se na cama e suspirou fundo. Levantei meus olhos e admirei sua força. Ele me olhou. Nos olhos. Da felicidade ao ódio, em um lapso. Vá embora! Há quanto tempo aqueles olhos não me viam... Há muito tempo não ouvia sua voz. Suave e rouca. Não saí. Ele implorou. Mas eu não queria deixá-lo. Ele chorou. Eu chorei, não sabia por que estava chorando. Ele disse que me levaria embora. Eu não quis. Queria ficar com ele. Mas ele não me queria mais. Eu não acreditei. Ficou por isso. 


Não nos vimos o resto do dia. Ele me deixou sozinho. Achei alguns biscoitos esfarelados, um resto de café frio e um leite azedo. A fome apertou e quase desisti. Mas não iria deixá-lo mais. A tarde abafada demorou a passar. Enquanto esperava me lembrei dos anos roubados pelo tempo. Como éramos felizes. Ao menos ele não estava sozinho. Esperava ansioso até que ele chegasse. Conversávamos e ríamos muito. Mesmo quando eles brigavam, ele ia ao meu quarto e a gente simplesmente aproveitava a companhia um do outro. Não precisávamos de palavras.


Lembro uma tarde, a que ele foi embora. Eles haviam gritado muito. Até quebraram alguns pratos. Da gritaria algo que ela disse me sangrou o fundo da alma: ‘não quero mais saber de você!’. Sabia muito bem o que isso significava. Quando ele foi ao meu quarto estava escondido na cama; com medo. Ele me abraçou. Disse que a gente não ia mais se ver. Eu chorei muito. Ele também. Mas as lágrimas não o impediram de me machucar. O que mais doeu foi ficar a noite toda acordado. Quem sabe ele não voltava pra casa... Ilusão. Decepção. Estávamos sozinhos; e ninguém pra nos abraçar. 


A noite entrou fria. Pensei que não o veria de novo. Mas ele veio. Trouxe comida pra gente. Enquanto comíamos, ele me olhava. Feliz. Há muito tempo não sorríamos. Não havia mais dor, não existia outra coisa no mundo. Só nós dois, aquele quarto. Estava tudo perfeito outra vez. Conversamos e rimos. Mas ele não era o mesmo; eu também não. Muito tempo havia passado. Mesmo assim, ele não quis que eu ficasse ali. Não havia nada que eu pudesse fazer. Aceitei e disse que de manhã iria embora. Ele sabia que era mentira.


De repente, uma batida à porta. Ele esperava alguém? Não. Também estava surpreso. E, pior, assustado. Ele me olhou e me mandou esconder debaixo da cama. Fui, com receio. Ele abriu a porta. Aqueles homens não pareciam contentes; muito menos seus amigos. Gritavam e empurram-no. Entraram e começaram a quebrar o pouco que tinha por ali. Desespero e medo. Pude ver em seu rosto. Mas eles me descobriram. Eu não sabia o que estava acontecendo. Eles me machucavam; batiam em mim. De joelhos, em lágrimas ele implorava que me soltassem. Jogaram-me no chão.


Ainda pude ver a dor em seus olhos. Eu te amo. Foi o que ouvi ele sussurrar. Não me deixa de novo. Foi o que eu lhe disse. Ele chorava muito, eu não conseguia. Ele me abraçou forte e não me soltava, mesmo enquanto o puxavam e o empurravam com muita força. Ele ignorava a dor e me olhava no fundo dos olhos. Ele ainda me sorri...  O último sorriso seu que eu posso ter. O mais belo de todos os que já me havia dado. O mais sincero. O mais profundo. O mais melancólico. A dor é muita. Mas não quero perder meu último momento com ele. Aspiro cada segundo, cada detalhe do seu rosto, cada lágrima de seus olhos... Levo tudo comigo. Deixo pra ele minha ingenuidade; meu amor teimoso, meu último suspiro...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Jeremiadas de fim-de-férias

Já há um bom tempo sem postar um texto no blog, estou cansado da ociosidade das férias. A mente está vazia, sem criatividade, preguiçosa, idéias incoerentes e sem coesão... Isso é muito chato! Mas é o normal do fim-de-férias: o cérebro em estado de hibernação (em pleno verão), mas logo volta ao normal (é o que espero). Aliás, falando em fim-de-férias, fim-de-janeiro, está chegando meu aniversário. Espero, no máximo, alguns emails, recados no orkut, uns abraços, nenhum presente. Não é tão mal. Me contento em saber que ainda estou vivo...

Mudando de assunto, ontem li um livro interessante. "O mandachuva", de João Bosco de Castro (um mineiro!). Narra, de forma bem seca, o progresso e a consequente destruição de uma cidadezinha do interior, onde não havia a prepotência do latifundiário, nem o ódio reprimido dos pobres. É uma história triste, mas verdadeira. Chocante e fria (muito fria!). Sarcástica. Vale a pena ler esse romance. Fica aí minha dica pra quem quiser acordar o cérebro nesse fim-de-férias; é um livro pequeno, umas 115 páginas, li numa setada.

Agora começa a saga. Já mandaram as leituras do semestre; já tenho um conto pro dia 2 (é mole?), pelo menos é pré-modernista, se fosse um romance acho que não o leria... Mas mãos (leitura) à obra que a vida não para, muito menos a faculdade. Falando nisso, acho que vou precisar ler (de novo) o Novo-Acordo-Ortográfico-da-Língua-Portuguesa, já não sei hifenizar, acentuar, e essas burocracias todas da escrita (ô trem chato, sô!). Seria muito mais fácil se tudo fosse falado e não escrito. Não haveria desigualdade pelo menos. Mas (não querendo ser otimista mas...) tudo tem seu lado bom.

Satisfeito! Mais um post, cérebro acordando (aos poucos). Ah! Só mais uma indicação (acho que desnecessária): "A menina que roubava livros", Markus Zusak. Não sei porque indiquei esse, é bom. De qualquer maneira, se tiver interesse, em um tempo ocioso, leitura nunca prejudica.

Feliz 2010 (porque o ano começa em fevereiro...)!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Poesia de si mesmo

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A noite era fria e o vento cortava  o pasto. A lua, grande e desbotada, sorria-lhe, contemplando as estrelas dançantes. Não via sinal de chuva, embora da terra sentisse desprender-se aquele aroma delicioso que despertava seu desejo. Estava a sonhar, quase acordado, um sonho perturbado, mas sentia-se bem, não feliz, mas bem. Não queria que o sonho acabasse, mas um seco latido, vindo de depois das montanhas, com certeza, o assentou na úmida noite. Sentiu desconforto pela dureza da terra, mas não se moveu. Vagou o olhar, tão preguiçosamente quanto pensava, pelo céu. Não se fixou em nada, apreendia, inconsciente, a noite.

Suavemente, voltou ao sonho. Sentiu-se leve, mais que uma brisa. Ainda conseguiu ver seu corpo timidamente esticado e voou num relâmpago. Foi-se sentindo mais pesado, mais significativo, atestou que voltava a ser alma vivente. Mas a luz não lhe permitia ver, apenas sentia o vazio em volta de si. Nenhum vento, nenhum cheiro, somente o silencioso eco no nada. Se não fosse o calafrio percorrendo todo o seu corpo ao sentir cair aquela única e salgada lágrima, diria que já não mais era. De fato, era, mas nele mesmo. Despedaçado para formar um todo; mas um todo que só existia em si. Era o que estava a observar.

Sentiu-se unânime, sentiu-se universo. Essa complexidade não havia existido nele. Incapaz, instável, diminuiu-se na imensidão de ser, do seu ser. Era e simplesmente deveria ser. Mas não se conhecia. Não até então. Era completude e fragmento. Era sonho e realidade. Compreendeu e, então, chorou.

Chorou por conhecer sua realidade. Chorou por não se lembrar mais de suas doces lembranças. Chorou por ser alma carcereira de um espírito impetuoso. Chorou por não saber por que chorava. Chorou e se conformou com tudo o que se deveria conformar.

Passou-se tempo; tempos e momentos memoráveis, mas longe de ser aquilo com o que se deseja ser eterno. Mas sua eternidade, e isso o alentava, ali era breve. Sentiu e pensou o que não queria, mas foi com isso que aprendeu a ser poeta. Poeta, aprendeu a amar, única sensação a que se deu o trabalho de dissecar, não por beleza, mas por disparidade. Amou e não se cansou de querer amar. Só o que não gostava era dos sonhos.

Sempre que sonhava, acordava sufocado por uma angústia infinita. Não compreendia os sonhos, nem sequer os queria compreender. Pensava neles e logo se arrepiava por uma realidade tão impalpável. Era essa, no entanto, viria logo a saber, a angústia de um filho saudoso de seu lar. Mas ainda era cedo e não lhe convinha pensar em matérias tão longe das simples sensações a que seu corpo se submetia. Matéria esta que lhe exigia sentir com o espírito, algo absurdamente impossível.

Mas o que, ao parecer, estava longe de seu destino, anunciou-se numa esplêndida aurora. A dor foi intensa. Se pudesse não senti-la, ou simplesmente não conhecê-la. Seu corpo reacionava violentamente contra a agonia da alma. No entanto, o espírito regozijava-se. Um conflito de sensações estranhas percorria pesadamente seu corpo, morrendo ao se deparar com a vibração obscura do espírito. Já pouco sentia, já quase nada vinha-lhe à memória, já o eco gritava o silêncio aos seus ouvidos e a agitada luz dançava em seus olhos. Um zumbido fino cortava seu corpo. Afogou-se em si e desvaneceu.

Sentiu escorrer em seu rosto uma gota d’água. Chovia. Levantou os olhos e não podia contar as estrelas, mas sabia que eram muitas. Imaginou a lua, reinando por trás destas nuvens. Pensou na terra úmida que suportava seu pesado corpo, e na grama amassada por debaixo de si. Tudo em um lapso revigorante. Sorriu e decaiu-lhe do rosto uma lágrima que, misturada à chuva, regou religiosamente a terra. Voltava a ser poeta de si mesmo.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sofia

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Foi numa noite como esta que ela chegou. Eu nada podia fazer naquele momento. A tempestade foi rápida e avassaladora. Lembro-me bem porque o meu corpo sentia este mesmo estremecimento ao ser sacudido pela brisa da manhã que estava por vir. Não dizia nada. Palavra nenhuma poderia dar um destino diferente àquela noite. Senti-me prisioneiro da minha alma, clandestino em meu corpo. Culpado e com nenhum esforço para obter a inocência, carreguei religiosamente meu sinistro fado.

A sombriedade dos dias que se seguiram foi-me remédio, comparada ao peso da dor que violava meu espírito. Fui o eterno doente a quem não interessa a cura. Deleitava-me em meus pesares. A cada angústia regozijava-me, como o pai se regozija ao receber em casa o filho outrora perdido. Não questionei o destino de meu espírito; minha alma se esparcia, então, na densa escuridão em que vivia. Onde habita, oculta, a luz.

Dói-me sua agressão; lastima-me seu toque. Carrego no espírito as incuráveis chagas que ela me trouxe, na alma, o ardente desejo de possui-la e no corpo, as inegáveis evidências do meu pecado. Cigana, me ressuscitou da morte causada por ela mesma. E, por isso, aprisionou-me. Não há caminho de volta. Assim como a noite esconde o dia, seu mistério arrebatou meu ser.

Amo-a por isso odeio-a. Somos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Amar...

O que é o amor?

Uma simples pergunta que não ouso responder. Talvez porque sei que nunca chegarei a uma concepção perfeita ou ideal do que realmente é o amor; talvez porque não queira mesmo saber o que é…

Sim, não me faz falta uma definição… O que importa, de fato, é vive-lo…

Viva o amor! Experimente sentir no mais fundo da alma essa sensação de arrebatamento e de felicidade plena. Deixe-se levar por esse oceano de emoções e por essa infinidade de duvidas. Não questione, não se detenha, não hesite… ame.

Quando ouvimos uma música, por exemplo, nos deixamos envolver pela melodia que nos chega ao mais profundo do nosso ser… Assim também deve ser com o amor. Amar é deixar-se levar pela melodia da alma.

Aqui deixo, então, meu conselho: ame o máximo possível, não deixa de amar, pois a vida não vale à pena se não amamos.

E o mais importante: ame a vida!

sábado, 25 de outubro de 2008

Um Mundo Só Meu


O sol se levanta.
O primeiro pensamento é Que horas são? O tempo voa. É tudo muito rápido. Tempo, não há de sobra. Cinco minutos de descanso são para pensar no que mais é preciso fazer. A rotina afoga e estressa. Não posso esperar mais um minuto. Tem que ser agora! É pra ontem! Ainda não terminou? Já era... Espera! Tem mais isso... isso também!... É claro! Como pude esquecer...?! Agora não posso! Não tenho tempo! Pode ser depois?

O sol arde no asfalto.

Correria. Não existe ninguém neste mundo mais atrasado que eu. Por isso, corro. Sempre. Vivo correndo. Literalmente. Já almocei? Acho que sim. Já não dá mais... Mais dor... cabeça, braços, mãos, pernas, pés... Mas falta pouco. Por hoje acho que é só. Ainda não. Tem mais aquilo. Agora sim, acabou! Mas não tenho tempo pra isso. Outro dia, quem sabe?

O sol tinge a rua de um tom alaranjado... bonito.

Mas o ônibus demora muito. Esse pessoal não pode esperar o próximo? Que calor insuportável. Abram as janelas! Por Deus! Que...! O contato físico me enjoa. Sentir a respiração do outro é sufocante. Não aguento mais! Estamos todos na mesma situação. Atrasados. Sem tempo. Olhos só para o relógio. Ouvidos só para as ordens e recomendações. Boca só para discutir coisas pertinentes. Nariz só para farejar os problemas. Mãos só para praticar as tarefas necessárias.

A lua está cheia... brilhante.

Mas agora é hora de descansar. Amanhã é um novo dia. Que de novo não tem nada. Preciso repor minhas energias. um banho fresco, lençóis limpos e macios me esperam. Sonhos doces e cheios de fantasias.

Olhando para o escuro, penso... como minha vida é cansativa! Cheia do nada que enche o escuro desse quarto. Repleta de momentos sem razão. Pra quê eu vivo? Tenho a mesma motivação que uma formiga. Não é com isso que sonho todas as noites. Mas não posso exigir mais do que recebo. Afinal, não sou só eu, existem milhões de pessoas nesse planeta. Uma mente nada vale nessa grande engrenagem.

Por que esses pensamentos agora? Será que estou ficando louco? Deve ser o sono... É melhor eu virar para o outro lado...

Mas por que sonho com essas formigas? Elas que sempre seguem um caminho certinho... mas, de repente, uma delas decide seguir por outro caminho, explorar lugares desconhecidos, trilhar estradas novas. As que vêm atrás dela não sabem o que fazer. Algumas a seguem, outras decidem seguir pelo caminho tradicional.

Esse sonho, de novo! É engraçado... os homens se parecem muito com as formigas... alguns, mais entendidos, traçam caminhos para os demais seguirem. Um caminho perfeito, pronto para ser seguido. Meus pés o percorrem todo dia... milhões de outras pegadas se encontram nele, e a cada dia novas, se vão fazendo. Um caminho feito pra ser percorrido.

Seguindo um caminho de outros... como eu sou vazio... caminhando por um chão tão alheio a mim. Minha vida é vivida pra outros. Por que eu não posso criar um caminho só meu? Um caminho que me leve a um mundo só meu...

Meu mundo... um mundo onde eu poderei observar a beleza do sol, o brilho inebriante da lua. Observar os detalhes míninos de tudo o que eu fizer. Prestar atenção nas pequenas coisas e me satisfazer em tudo isso. Um mundo onde não existe rotina, onde eu poderei fazer tudo o que quiser e na hora em que eu quiser. Um mundo onde é permitido parar no meio da rua e ficar observando, à toa, o movimento das pessoas ou qualquer outra coisa que, num momento, seduzir os olhares.

Basicamente, um mundo onde não haja rotina e onde as pessoas não sejam... ocas.

Que horas são? Acho que está na hora...

Como é lindo... um momento único e maravilhoso. Uma sensação diferente me invade o corpo. Um sentimento de alívio, de leveza... É como se eu estivesse voando... voando nesse primeiros raios que aquecem a manhã... viajando pela aurora... viajando pela beleza da vida... viajando em mim mesmo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

"Papai, eu quero a lua"


As crianças têm uma capacidade tão interessante de pensar que tudo cede aos seus desejos. Inocentes, desejam e querem ver realizadas todas as suas vontades. “Papai, eu quero a lua”, foi o que ouvi de uma criança, pedindo seu pai, como se, acionando um interruptor, ele pudesse fazer vir a noite. Aquela criança apenas queria que o dia acabasse, assim como nós, muitas vezes, desejamos apressar ou voltar o tempo. A diferença está na forma como a criança deseja, como se a realidade se submetesse aos nossos sonhos e fantasias mais pessoais, enquanto nós apenas pronunciamos palavras vazias, sabendo que nossos desejos são insignificantes.

É tão bonito ver a inocência das crianças e pensar que um dia nós também éramos assim. Mas o que não vemos é que essas pequenas criaturas têm muito a nos ensinar. Apesar de sempre declararmos isso, nossas palavras, como sempre, soam vazias e nos fechamos ás mínimas lições da vida. Como o mundo seria melhor se conservássemos aquela fé que, verdadeiramente, move montanhas. Aquela confiança nas pessoas. Aquela esperança de que nossos sonhos se realizarão.

Mas crescemos. E o mundo nos ensina a não sonhar, a não desejar, a não viver livremente. Não podemos mais acreditar nas pessoas, ou em nossos sonhos. Devemos aprisionar todos os nossos impulsos de liberdade e viver exclusivamente em prol da humanidade.

Engraçado, a humanidade é feita de pessoas. Indivíduos com suas vontades, seus sonhos, suas individualidades, seus anseios. Como, então, uma humanidade pode viver sem liberdade? O coletivo sufoca o desejo subjetivo. É como se a parte não importasse para a plenitude do todo. Mas que grande contradição. Os sonhos individuais, transformados em sonhos coletivos é que movem o mundo. As idéias partem de um indivíduo e contagiam a sociedade. Não existem desejos coletivos, existe comunhão de intenções. Os bons indivíduos são aqueles que expõem seus desejos para a sociedade. As idéias que movem o mundo partiram de mentes livres.

Por isso, não deixe de desejar, não para de acreditar nos seus sonhos, não se submeta à sociedade. Seja um indivíduo livre. Pense. Sonhe. Não tenha medo de ser livre. Seja novamente uma criança, que deseja com toda a sua alma. E, acima de tudo, não deixe de contagiar o mundo com a sua subjetividade, pois, sem ela, o mundo não seria o que é.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Beautiful bird could fly..."

Na vida, às vezes, nos deparamos com situações que nos fazem refletir... acerca de nós, acerca das coisas que nos cercam. Encontramos, muitas vezes, pessoas que se tornam mais que especiais. Às vezes nos sentimos tão só e abandonados que um simples sorriso de um estranho colore o nosso dia. Somos, algumas vezes, surpreendidos por achar beleza no simples ato de ver uma criança brincando na sua inocência. Tudo isso, e um pouco mais, reflete a nossa capacidade de olhar o mundo de maneiras diversas. Nos sentimos pouco sensíveis em determinados dias, mas em outros, já nos emocionamos com o desabrochar de uma rosa perfumada no jardim alheio. Hoje pode ser que não tenhamos vontade de sair de casa, pra não enfrentar o caos, mas também pode ser que estejamos afoitos para poder admirar as cores e os aromas do dia.

Nossa poesia muitas vezes se esconde. Aí, sentimos a necessidade de tê-la agarrada junto a nós, para que nunca percamos a graça de ver o mundo. Se todos os dias, todas as pessoas saíssem de casa sem a sua poesia, a vida seria todam em preto-e-branco; ninguém se importaria em ajudar alguém, ninguém se respeitaria, a natureza seria logo banida do nosso mundo. Mas, também, se todos, todoso os dias, saíssem às ruas para admirar a beleza de uma folha sendo carregada pelo vento, nada teria sentido. Seria tudo motivo para admiração, sem reflexão.

Precisamos aprender que há poesia em um singelo gesto, mas que, também, não vivemos em um conto infantil, onde todos os desejos são saciados. Na vida há, sim, momentos em que só o olhar pode traduzir um gesto, uma expressão. Mas esse olhar não pode ser apenas de admiração, ele precisa de uma reflexão para ganhar sentido em nós. Refletir é quando pensamos na vida e no mundo e aplicamos a nós aquilo que julgamos conveniente. É sempre após a reflexão que vem a mudança.

Pode-se mudar qualquer coisa. Basta ver a necessidade e querer mudar. Com a poesia vemos a vida e observamos tudo o que ela nos oferece; então, refletimos naquilo que vimos, sentimos a reação em nós e, assim, enxergamos o que precisa ser mudado e o que precisa ser desvendado. Descobrimos o mundo com a poesia, mas é na reflexão que tornamos esse mundo propriedade nossa.

Precisamos aprender que um pássaro não foi criado para no chão, por mais que ele necessite tocar o solo. O pássaro é uma criatura feita para voar... Voar alto, alcançar lugares inexplorados e desconhecidos, chegar até as montanhas, ir além das nuvens. Não se aprisiona um pássaro... "beautiful bird could fly..." beautiful bird need fly...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pare um momento e reflita...

ATITUDE!!!


Não dá pra ficar parado enquanto mil coisas acontecem no mundo...

Às vezes nos desculpamos dizendo que isso não tem a ver conosco, não é nossa responsabilidade, deixa que outros façam... Assim não dá! Pior que ver e não fazer nada é passar a responsabilidade para outros. Se está em nossas mãos, façamos; se está ao nosso alcance, não deixemos para outros fazerem; se vimos, é nossa responsabilidade. Não vale dizer que não damos conta, que isso não é pra nós, que já estamos muito ocupados pra isso, que não temos tempo, que isso não é importante...

Mas do que será que ele tá falando??

De tudo! Do mundo, da vida, dos amigos, daqueles a quem você pode dar uma mãozinha, de você mesmo, de nós mesmos...

Esse fim de semana participei do CONJUBAC (Congresso da Juventude Batista Central), cujo tema foi: "Chega de blá, blá, blá... atitude fala mais alto". Esse congresso me mostrou quanta coisa eu poderia ter feito, mas, por causa do meu blá, blá, blá, deixei de fazer. Muitas responsabilidades foram deixadas de lado por pensar que não era importante. Mas uma coisa eu aprendi: não existe nada que esteja às minhas mãos que não seja importante. Decidi mudar, tomei uma atitude.

Hoje, estou compromissado com tudo e com todos. Tudo o que me vier às mãos para fazer, farei conforme as minhas forças. Parei de blá, blá, blá, minhas atitudes falarão mais alto. Mudei, continuando o mesmo. Acrescentei a mim o que precisava. Minha vida mudou... vivi uma virada...

Hoje, trago aqui essa experiência para que todos vejam esse incrível transformação de vida pela qual eu passei. É emocionante quando passamos por renovação, não uma renovação religiosa, mas uma renovação de vida, deixando atos falhos, tomando atitudes novas, estabelecendo metas e compromissos com nós mesmos. Viver diferente é isso. É se renovar a cada dia, viver a renovação. Limpe suas falhas com suas lágrimas, busque novas atitudes, fuja dos velhos atos e ajude-se a si mesmo, servindo aos outros.